O Centro de
Interpretação Caminhos de Fé, encontra-se instalado na Igreja de Santiago e retrata a história
deste Monumento Nacional, bem como a história dos Caminhos de
Santiago, uma vez que em Belmonte passava a antiga Estrada
Romana Militar, que ligava Mérida a Braga, a qual na Idade Média
era utilizada pelos peregrinos que se dirigiam a Santiago de
Compostela e faz parte do roteiro museológico do Concelho de
Belmonte, a par do Museu Judaico, do Ecomuseu do Zêzere e do
Museu o Azeite e o Museu dos Descobrimentos "À Descoberta do
Novo Mundo".
História
Igreja de Santiago
A
Igreja de Santiago foi igreja paroquial até 1940 e esteve sempre
associada aos Cabrais. Esse facto justifica que o Panteão dos
Cabrais lhe esteja adossado à esquerda.
Esta igreja é um belíssimo exemplar de arquitectura
românica-gótica com frontaria barroca (alteração no tempo de D.
Francisco Cabral, documentada por inscrição), remate em cornija
decorada com esferas e cachorrada medieval ornada com motivos
vários apresentado indícios de aproveitamento de materiais
pertencentes a uma igreja e cemitério visigóticos pela
existência de cabeceiras de sepulturas.
A
igreja de S. Tiago terá sido construída por ordem de D. Maria
Gil Cabral, esposa de Gil Álvares Cabral no século XIII, depois
de a ter recebido em testamento de D. Gil Cabral, Bispo da
Guarda com a condição de ali instituir uma capela dedicada a
Nossa Senhora da Piedade e construir um morgadio vinculado à
mesma. Este morgadio foi criado em 1397 a favor de Luís Álvares
Cabral, sobrinho da fundadora, já que não deixou descendência.
Foi desta forma que se criaram as bases do poder temporal dos
Cabrais em Belmonte.
No interior da Igreja situa-se a Capela de Nossa Senhora da
Piedade onde se encontra a famosa Pietá monolítica que é
ladeada pelo túmulo armoriado de D. Maria Gil Cabral. Esta
capela gótica possui arcos quebrados e abóbada de cruzaria de
ogivas, colunas com capitéis decorados com motivos zoomórficos,
florais e antropomórficos, dos quais se destacam os que
pertencem às colunas encostadas ao arco toral e ao fundo da arca
tumular. Estes capitéis historiados relatam feitos ocorridos no
Norte de África e que se atribuem a Fernão Álvares Cabral.
Esta igreja outrora envolvida nas lutas entre os Bispos da
Guarda e Coimbra, apresenta planta longitudinal composta, de
nave única e capela-mor rectangular tendo no interior junta à
referida capela gótica, uma arco gótico de intradorso
ornamentado de pequenos lóbulos, sobrepujado pelo Brasão dos
Cabrais entre duas prensas de azeite, representadas em alto
relevo.
As várias pinturas murais que aqui se vislumbram forma postas a
descoberto aquando das obras de restauro da Igreja (1963),
altura em que se procedeu à remoção dos retábulos entalhados da
capela-mor e da colateral direita. As datas de execução destas
pinturas estende-se por cerca de 150 anos desde o séculos XV-XVI
ao séculos XVII e correspondem a cinco campanhas distintas de
pintura.
No fresco manuelino da parede fundeira, na capela-mor,
encontram-se representadas três figuras: Virgem com o Menino,
Santiago e S. Pedro que forma uma espécie de tríptico. As
decorações de temática vegetalista inspiradas na olaria
tradicional que ladeiam a representação central são do Século
XVII, mais precisamente, da altura do acoplamento do
retábulo-mor primitivo (1630).
Junto ao arco que dá acesso à capela-mor, do lado esquerdo,
encontram-se outras representações pictóricas. Tratam-se
igualmente frescos onde existem campanhas sobrepostas e se pode
observar: (i) a Santa Mártir, um dos atributos de Santa Luzia; (ii)
S. Domingos e, na parede lateral direita, S. João Batista. A
Santa Mártir que apenas ostenta a palma do martírio, sendo essa
razão difícil de identificar, é considerada a melhor
representação existente nesta Igreja uma vez que a sua execução
revela um bom domínio técnico e artístico para a época.
Em termos cronológicos a representação desta Santa Mártir poderá
ter sido executada em finais de 400 d.C. sendo contemporânea da
Santa Luzia, uma vez que ambas faziam parte da mesma
representação. O S. Domingos é posterior a estas e S. João
Baptista foi elaborado depois da representação principal da
capela-mor.
O
Púlpito renascentista. situado junto à porta que dá acesso ao
Panteão dos Cabrais é composto por quatro peças: (i) pia de água
benta; (ii) tribuna; (iii) dossel; (iv) e o nicho encimado por
dossel de menores dimensões. A tribuna é decorada com motivos
florais ostentando na zona central a prensa e uma vieira -
símbolos associados, respectivamente, aos Cabrais e a S. Tiago.
A prensa surge igualmente representada na pia de água benta.
A
Pia Baptismal, em forma de cálice, encontra-se integrada num
baptistério de planta quadrada, com acesso por arco pleno, que
se situa na intersecção com o Panteão dos Cabrais perto da porta
principal.
O
Coro Alto, em madeira, sustentado por duas colunas toscanas é do
tempo de D. Francisco Cabral (Século XVII).
Panteão dos Cabrais
É
no Panteão dos Cabrais que se encontram os túmulos de vários
elementos desta ilustre família. No interior, junto à porta que
liga o Panteão à Igreja de S. Tiago, observa-se à direita, o
túmulo de Fernão Cabral I e Isabel de Gouveia, pais de Pedro
Álvares Cabral. Na parede oposta, encontram-se os restos mortais
de João Gouveia (alcaide-mor de Castelo Rodrigo), de sua mulher
Leonor Gonçalves e do seu filho Vasco Fernandes Gouveia (pais e
irmão de Isabel de Gouveia). Estes dois túmulos góticos de
morfologia semelhante fizeram parte de uma primeira capela
mausoléu manda construir por Fernão Cabral I e sua mulher,
Isabel Gouveia.
Num plano superior, cujo desvão foi aproveitado para fazer o
Carneiro e onde se lê: "PORTA DESTE CARNEIRO 1630"
ressalta a reforma renascentista, feita no tempo de Francisco
Cabral, onde se encontram duas arcas tumulares de estilo
renascença. Do lado esquerdo, a inscrição revela quem ali jaz:
Fernão Cabral III (6º Alcaide-mor de Belmonte), Nuno Fernandes
Cabral (fidalgo da Casa Real e 7º Alcaide-mor de Belmonte). A
identificação dos restos mortais que a arca tumular da direita
encerra não está comprovada mas são apontados dois nomes: Fernão
Cabral IV (o Gigante das Beiras) e seu irmão Francisco Cabral.
Ao centro , a arca tumular de granito contém cinzas retiradas do
túmulo de Pedro Álvares Cabral localizado na Igreja da Graça em
Santarém.
No exterior, o frontispício do Panteão apresenta portal
seiscentista de lintel recto moldurado, rematado por frontão
curvo que integra a inscrição onde são identificados os nomes de
quem mandou construir e reformou esta capela. A torre sineira
isolada é de construção ou reconstrução oitocentista.