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Cristãos - Novos
Com a conversão forçada do fim do séc. XV e o estabelecimento da
Inquisição, em 1536, o judaísmo português foi proibido e oprimido. Os
judeus passaram a ser Cristãos-Novos.
Por causa das perseguições, muitos judeus partiram para países
estrangeiros, mas os outros ficaram em Portugal. Destes últimos, uma
maioria não abjurou a sua fé judaica mas, como não a podiam professar
publicamente, recorreram à ocultação religiosa. Assim nasceu o
criptojudaísmo, que manteve vivas as tradições judaicas dos
cristãos-novos, descendentes do velho judaísmo português.

Belmonte esta localizado entre a Covilhã e a Guarda aos
pés da Serra da Estrela.

Bairro
da Judiaria
primeira Sinagoga data de 1297, dela hoje resta
apenas uma inscrição.
Com o decorrer do tempo, as mulheres cristãs-novas foram assumindo, no
quadro familiar, um papel fundamental, quer como factor de segurança e
controle da religião, quer como de recriação e transmissão da cultura.
Ao nível económico e mesmo ideológico, os cristãos-novos constituíram
um sector burguês muito saliente em Portugal. Em geral, ocupavam a sua
actividade profissional nos diversos ofícios e no comércio.

Actual Sinagoga de Belmonte inaugurada em 1997.
A Inquisição foi extinta em 1821,
mas o criptojudaísmo tinha ganho tão arreigado hábito que se manteve
aceso em muitas povoações de Trás-os-Montes e da Beira Interior
durante todo o séc. XIX, grande parte do séc. XX, e particularmente
em Belmonte, onde persistiu até aos nossos dias com as suas
tradições judaicas secretas.
Adonai, Adonai,
Adonai, Senhor meu!
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Deus de Israel,
que nos livrou do Egipto
daquele rei tão cruel.
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Senhor,
cantam os anjos no céu,
os serafins ao Senhor.
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Deus de Abraão,
que nos livrou do Egipto,
da terra da escravidão.
Cantemos hoje ao Senhor,
o Deus da suprema glória,
o cavalo e o cavaleiro
lançou no profundo mar.
Estende o teu braço,
já nos fica fortaleza,
do faraó e do inimigo
já combateu a fraqueza.
E era vencedor
o seu Omnipotente Nome,
o carro do faraó
e seu exército consome.
Cântico da Páscoa (Judeus de Belmonte)
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